A exposição de Luiz Zerbini, em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, oferece um olhar singular sobre a relação entre a arte e o ambiente natural. Ao longo de uma década de produção, o artista consolidou uma linguagem onde a própria natureza atua como parceira criativa, e não apenas como tema das telas.
O destaque da visita reside nas monotipias. O processo, que parece simples à primeira vista, revela uma complexidade técnica impressionante: galhos, folhas frutos e elementos colhidos na mata são usados como matrizes que transferem suas texturas e formas diretamente ao papel. O resultado são sobreposições que capturam a delicadeza de cada espécime, transformando o ato de imprimir em uma marca autêntica de cada planta.
Essa abordagem faz com que a obra deixe de ser apenas a representação final para se tornar o registro de um encontro. Ver essas impressões de perto permite perceber como elementos do cotidiano, muitas vezes ignorados, ganham um significado artístico potente quando dispostos com a sensibilidade de Zerbini.
A mostra, que segue aberta ao público no Instituto Tomie Ohtake até meados de agosto de 2026, consegue ser um convite à contemplação, reforçando como o caminho percorrido pelo artista é tão fascinante quanto o resultado que vemos nas paredes.

