A visita ao Museu da Imigração para conferir a exposição “Assim bordei meus sonhos: Margarida L. Kanciukaitis Pandolfo” traz um contato direto com o universo criativo de Dona Margarida, mãe dos artistas Gustavo e Otávio Pandolfo, mundialmente conhecidos como Os Gêmeos.
Dona Margarida começou a bordar ainda na infância, por volta dos 10 anos de idade, aprendendo os primeiros pontos com familiares. O que por muitas décadas permaneceu como um hábito íntimo de casa, um ofício de costurar enquanto se pensa na vida, transformou-se depois em uma carreira artística celebrada internacionalmente, com passagens de suas obras por países como Estados Unidos, Holanda, Espanha e pela própria Lituânia, terra natal de seu pai.
A mostra no Museu da Imigração integra as celebrações do centenário da imigração lituana no Brasil. Utilizando retalhos de pano ela traduziu em bordados as memórias de sua ancestralidade báltica, além do cotidiano e da cor que marcam a identidade brasileira. É emocionante observar como ela mesma costumava definir essa troca criativa com bom humor, dizendo que os filhos saíram dela, mas que, no território da arte, ela acabou nascendo deles, já que foram Gustavo e Otávio que a incentivaram a retomar com força total os trabalhos, costurando muitas vezes os próprios traços icônicos da dupla.
Percorrer a exposição ajuda a enxergar de onde vem a sensibilidade estética presente nas ruas de São Paulo e no circuito global de arte urbana. Cada retalho costurado carrega uma paciência ancestral, mostrando que a criação manual serve como elo entre gerações, países e histórias de vida.

