Visitar o Instituto Inhotim, em Brumadinho, exige tempo. A contemplação artística se mistura com a vegetação e a intervenção humana. O impacto mais profundo nasce da ressonância invisível que certas instalações deixam no visitante.
As experiências imersivas revelam força singular logo no início do percurso. Em Forty-Part Motet, da artista canadense Janet Cardiff, dezenas de caixas de som reproduzem as vozes isoladas de um coral. O arranjo cria a sensação de habitar um organismo vivo e me arrancou lágrimas de emoção e sentimento.
A viagem continua nas profundezas com o Sonic Pavilion, de Doug Aitken. Sentar-se no pavilhão para escutar, por meio de microfones cravados a duzentos metros subterrâneos, o som real do planeta respirando evidencia a conexão física com a terra.
A caminhada avança por múltiplos universos estéticos. A força histórica da Galeria de Adriana Varejão divide espaço com as cores do Magic Square, de Hélio Oiticica.
Os fuscas coloridos e sonoros de Troca-troca, de Jarbas Lopes, trazem dinamismo ao espaço. A sala de espelhos de Yayoi Kusama projeta um horizonte infinito, ao passo que a obra de Marilá Dardot propõe plantar e regar mudas com as iniciais do próprio nome.
Inhotim altera a percepção do tempo. Sair de lá deixa na memória uma paleta renovada de sentimentos e a certeza sobre o alcance da arte integrada à paisagem.

