A exposição de Tatiana Blass no Instituto Tomie Ohtake propõe uma imersão instigante onde o espectador é levado a desconstruir a ilusão da representação tradicional. Na fronteira da pintura com a cenografia, a artista desloca elementos de bastidor (como refletores e andaimes) para o centro do espaço pictórico.
Nas telas e nos painéis translúcidos montados em estruturas autoportantes, o uso de transparências rompe com a perspectiva convencional. As figuras humanas surgem como silhuetas transitórias em cenários em processo de montagem, integrando a luz do ambiente à própria obra.
A série dedicada aos instrumentos musicais ganha especial atenção, sobressaindo a instalação da bateria coberta de cera. À medida que o material se transforma sobre as superfícies, estabelece-se um tempo escultórico dinâmico. O objeto estático dá lugar a um processo de contínua erosão, no qual o silêncio do instrumento evoca uma narrativa sobre a transitoriedade das coisas.
Esse diálogo expande-se na presença de esculturas em cerâmica dispostas no espaço, reforçando a pesquisa da artista sobre formas e volumes. Ao expor as engrenagens da arte e a impermanência dos materiais, Tatiana Blass constrói uma reflexão potente sobre os limites do olhar.

