A técnica de Karen de Picciotto

Circular pelos estandes da ArPa na Arena Pacaembu rendeu uma descoberta no espaço da Galeria 18; o trabalho da artista Karen de Picciotto. O projeto solo apresentado ali prende a atenção imediatamente.

O destaque do estande é uma cômoda que atrai o olhar pela sua técnica brutalista. A artista lança esmalte sintético sobre o mobiliário usando o vento de ventiladores industriais. Esse jato acumula a tinta de forma irregular, criando uma crosta espessa e cheia de relevos. Com esse processo, o móvel perde o aspecto funcional. Ele parece um objeto antigo fossilizado pelo próprio acabamento, congelando o movimento do vento na madeira.

A pesquisa de Karen se estende para além do mobiliário. No mesmo espaço, telas e outros objetos recebem tinta látex. Existe uma sincronicidade no ambiente: enquanto o esmalte é soprado sobre as peças, painéis ao fundo captam o excedente dessa tinta, funcionando como um registro do processo industrial.

Essas obras revelam uma desintegração das formas. Um fator que muda a percepção das peças é o tempo da matéria. A tinta esmalte seca na parte externa, criando uma película protetora, mas o interior permanece líquido por muito tempo. O público observa um processo vivo.

Conhecer essa assinatura artística foi o ponto central da visita. A Galeria 18 fez uma curadoria focada, e a produção da Karen de Picciotto entra para o radar de artistas que merecem acompanhamento atento.