“É preciso sair da ilha para ver a ilha”: Jorge Mayet na Casa Seva

Ao entrar na Casa Seva, a frase de José Saramago escrita na parede “É preciso sair da ilha para ver a ilha” essa frase estabelece o ponto de partida da exposição de Jorge Mayet. A citação se faz presente em toda a mostra.

Nascido em Havana, o artista construiu sua formação em Cuba, Espanha e Brasil. Esse percurso se reflete na obra exposta. A distância do território de origem não representa ruptura, mas um deslocamento que permite outra forma de observação. A ilha deixa de ser apenas geográfica e se afirma como memória.

O texto curatorial reforça esse processo e ele se confirma nas obras. A natureza ocupa um lugar central. O flamboyant e a palmeira-real-de-Cuba aparecem como referências culturais. Não atuam como ornamento. Sustentam a narrativa visual.

Durante a visita, impõe-se o ritmo da exposição. As obras não se oferecem de imediato. Exigem disponibilidade do olhar. A experiência pede recolhimento e observação contínua.

A frase de Saramago deixa de ser apenas uma citação e opera como chave de leitura. Sair da ilha, no contexto da obra de Mayet, não significa perda. Trata-se de um deslocamento que amplia a compreensão do lugar de origem e da identidade construída a partir dele.

Na Casa Seva, a exposição se organiza de forma contida, permitindo a aproximação sem interferências excessivas.

Ao final do percurso, a produção de Jorge Mayet aponta menos para um território específico e mais para um estado de consciência. A ilha, aqui, não é fixa. Ela se desloca com quem a observa.