SP-Arte

Andar pela SP-Arte este ano trouxe um contraste interessante entre o peso do mercado e a subjetividade de cada obra. Estar no Pavilhão da Bienal cercado por Volpi, Di Cavalcanti, Anita Malfatti e Portinari impõe um respeito imediato; é a nossa história ali na frente. O encontro com “Antropofagia”, da Tarsila do Amaral, resume bem esse sentimento. Ver de perto um ícone de 1929, com o valor de R$ 19 milhões, coloca em perspectiva a importância do modernismo brasileiro.

Mas o que realmente me prendeu foram as propostas que fogem do óbvio. Adriana Varejão continua precisa ao criar aquela tensão entre o que é histórico e o que é ruptura. Já as esculturas de Jorge Mayet sempre me encantam. As árvores suspensas com raízes expostas, moldadas em espuma e fios, trazem uma delicadeza que contrasta com o tema do deslocamento. É uma representação muito honesta sobre o que nos sustenta, mesmo quando os alicerces são invisíveis.

Essa conversa com o orgânico me motivou a esticar a programação até a Zipper Galeria no próximo final de semana. Quero ouvir da Janaina Landini como ela trabalha a corda para criar aquelas formas que parecem vivas, equilibrando tensão e fragilidade.

Fiquei com uma imagem específica na cabeça: a obra que dizia “Abrace seu Fracasso”. No meio de tantas cifras e nomes consagrados, essa mensagem foi a que me tocou. Ela fala sobre a nossa condição de estar sempre em construção, sem a obrigação de ser impecável. Acolher as falhas e entender que existimos e crescemos através delas é, talvez, a maior lição que levei desse dia. A arte, afinal, serve para lembrar que somos humanos e imperfeitos.