Gilvan Samico no MAC USP

Esses dias estive no MAC USP para visitar a exposição “Fabulações” e a experiência foi uma verdadeira aula prática. No meu curso de gravura, estou justamente na fase de entender as incisões no EVA e o uso das ferramentas de metal, então observar o trabalho do Gilvan Samico de perto trouxe um novo entendimento sobre o que estou produzindo.

O Samico carregava a essência do Movimento Armorial, aquela proposta do Ariano Suassuna de elevar as raízes do sertão e do cordel a um patamar de arte erudita. Ao olhar obras como o “Comedor de Folhas” ou as cenas de “João e Maria”, a precisão técnica salta aos olhos.

Lidar com a matriz de EVA exige um controle muito específico. É um material que perdoa pouco se a mão perder o equilíbrio. Por isso, ver a simetria que o Samico alcançava é inspirador; ele chegava a dedicar um ano inteiro a uma única peça.

Saí do museu com o olhar mais atento para as minhas próprias matrizes. É muito legal perceber como o domínio da técnica consegue transformar lendas e imagens em algo tão simétrico e perfeito.