Visitar a Fortes D’Aloia & Gabriel começa pelo espaço. O galpão é amplo, com luz natural entrando pelo teto e paredes brancas que dão respiro às obras. A arquitetura influencia diretamente a forma como percebemos cada trabalho. O corpo sente as distâncias, o tamanho das peças e também o silêncio do ambiente.
As esculturas de Jesse Wine chamam atenção logo de início. Ele trabalha com bronze em grande escala e cria formas que misturam corpo humano e arquitetura. As obras parecem carregar histórias pessoais, como se cada volume fosse resultado de uma experiência vivida.
Em uma das peças, a referência ao Edifício Copan aparece de maneira sutil, ligada ao período em que o artista viveu em São Paulo. A menção surge de forma indireta, incorporada à estrutura da obra como memória espacial.
A coleção nova desse ano, ele faz referência ao pai é especialmente forte. Jesse utiliza flores associadas a ele, faz moldes e despeja o bronze derretido. Em uma dessas esculturas o que sobrou do processo o material que escorreu, acabou revelando a forma de um cisne. Ele reconheceu essa imagem no acaso e decidiu assumi-la. Existe técnica, mas também abertura para o inesperado. O bronze, visto muitas vezes como algo rígido e permanente, aqui guarda afeto e lembrança.
Na exposição coletiva, a pintura aparece de maneiras bem diferentes.
Marina Rheingantz apresenta telas grandes que partem da paisagem, sem representar um lugar específico. As obras são feitas de camadas e manchas que deixam o processo visível. A sensação é de estar diante de um espaço que se forma aos poucos, quase como uma memória de paisagem.
Richard Aldrich trabalha de modo mais contido. As pinturas parecem inacabadas de propósito. Há diálogo com a tradição da pintura, sem grandiosidade.
Laís Amaral investiga estrutura e repetição, criando composições com uma organização visual marcada. Bruno Dunley transita entre figuração e abstração, com cores densas e imagens que surgem e desaparecem.
O que mais marca na mostra é perceber como cada artista constrói um caminho próprio.
A visita acaba sendo menos sobre entender cada trabalho de forma racional e mais sobre olhar com calma. Algumas imagens ficam na cabeça depois que saímos, e isso talvez seja o que realmente importa.

