A produção de Willa Wasserman, em exibição na Fortes D’Aloia & Gabriel, forma um diálogo direto com a transitoriedade. O percurso pela mostra revela imagens que operam no limite da percepção, onde o que é visto parece estar sempre prestes a se transformar.
A força das obras reside na escolha técnica dos suportes. Wasserman utiliza a ponta de prata e o latão, metais que reagem ao ambiente. Diferente de uma pintura estática, esses trabalhos ganham novas formas com a oxidação, fazendo com que o desenho mude de tonalidade conforme o passar dos meses.
Em oposição à leveza dos metais, os trabalhos em linho utilizam o carvão. O resultado é uma textura que remete à fuligem, evocando um peso visual que lembra contextos industriais e horizontes cobertos por névoa.
As figuras humanas e os cenários não possuem contornos rígidos. Elas se mesclam ao plano de fundo, criando um efeito de quase desaparecimento. Nas obras, a maçã surge como um elemento central. Longe de ser uma natureza-morta estagnada, a fruta funciona como um signo que volta de tempos em tempos, ora nítida, ora integrada às manchas da tela.
O conjunto da obra transmite a ideia de que nada é definitivo. A exposição se comporta como um organismo que respira, onde a luz e a química dos materiais impedem que a imagem permaneça fixa. É um convite para observar o que acontece quando a arte aceita a própria impermanência.








